Vai ter Festival Folclórico de Parintins sim! Pela luta dos parintinenses, pela criatividade dos artistas, pela beleza e ousadia dos bois Caprichoso e Garantido. O maior espetáculo cultural do país localizado nesta pequena ilha foi o grande propulsor de investimentos, de desenvolvimento e de melhorias em vários setores. A cidade hoje é mal cuidada, mas ao longo da história as construções, os investimentos não aconteceram apenas por conta dos políticos locais, ou da vontade de gestores das esferas estadual e federal. Mas, porque dois bois de pano de lados opostos da cidade nascidos das mãos de pessoas humildes deram a identidade cultural ao Estado do Amazonas. Agora imagine, feche seus olhos, e pense… Apague os bois da história desta cidade e me responda… Parintins seria o que é hoje, sem esses dois ícones da Cultura Popular? É claro que não!

O momento ocorrido neste domingo, simultâneo com Manaus denominado pelo “Bem de Parintins” revela que a necessidade faz os bois se tornarem mais profissionais. Entretanto, muito do que ocorre hoje tem a responsabilidade de cada um de nós, sócios dos bumbás, torcedores, diretores e políticos ligados às agremiações. Com a construção do Bumbódromo, em 1988, o Festival de Parintins começou ganhar dimensões que ultrapassaram o estado do Amazonas. A cidade não acompanhou esse crescimento. Os bois se acomodaram e políticos da cidade sempre sedentos por votos se empolgaram e como Pilatos lavaram as mãos em torno da organização do Festival Folclórico de Parintins.

A cidade entregou a festa para o Estado que ampliou o Bumbódromo, encareceu os valores de entradas e reduziu a participação do parintinense no evento se limitando a assistir os ensaios e a ficar na fila disputando uma vaga com turistas de várias localidades da Região. Os bois não procuram se firmar com projetos autossustentáveis. E por depender das verbas governamentais se renderam a um secretário que nunca gostou da cultura popular e sempre fez lobby para os governos a quem serviu da cultura erudita.

Os bois transformaram seus currais em currais eleitorais literalmente, em troca de apoio a quem quer voto. Não estou condenado isso, até porque o país é democrático. Mas talvez as agremiações poderiam deixar claro em seu estatuto não se envolver nessas questões, uma vez que os bois terão de dialogar com os governantes de todas as esferas. Os bois recebem tanto dinheiro e vivem reclamando de dívidas. Responsabilidade Fiscal é um quesito que falta nas agremiações. São denuncias de compras de jurados de armação nos bastidores. Investigações que não dão em nada e não chegam em nada. Tudo isso leva o evento ao descredito e ninguém mais vai ter coragem de vir a uma cidade cara onde existe a possibilidade de se ganhar armando.

Sem planos, sem o município colaborando com a organização do Festival a cidade ficou sem regras para os preços e se tornou mais caro vir a Parintins. E agora com tantas denuncias, com tantos problemas, um governo cassado não quer saber de Festival. Quer saber de salvar sua vida política. E vale mais pagar os melhores advogados do país que investir num evento cultural.

A partir de agora os bois tem a chance de reescrever a história não sendo refém do humor do governador, mas procurando a profissionalização para que a festa dos bois Caprichoso, Garantido, de Parintins e do Amazonas tenham mais cem anos.