Um morador do bairro Santa Rita de Cássia, que prefere manter seu nome em sigilo, recorre ao Jornalismo Alvorada para denunciar a prática indevida de soltar pipas ou papagaios de papel na cidade. Segundo ele, todas as tardes, dezenas de rapazes cruzam linhas de cerol em sua rua. A prática ocasiona riscos para as pessoas que trafegam pela via, especialmente aos motociclistas.

Usar a mistura de pó de vidro com cola para passar nas linhas de papagaio é um método bastante usado, erroneamente, em todo país, e em Parintins não é diferente. Porém, os riscos de acidentes graves ou até fatais são enormes diante do material cortante exposto nas ruas.

A reportagem esteve na tarde de segunda-feira nos dois hospitais da cidade, Jofre Cohen e Padre Colombo. Em cada um deles, neste mesmo dia, um paciente deu entrada devido a acidentes envolvendo linha com cerol.

No hospital Padre Colombo, de sábado até ontem, foram registrados três casos envolvendo a atividade, um deles com um corte profundo no pescoço da vítima. De acordo com os funcionários, episódios como este ocorrem principalmente nos fins de semana.

O morador do bairro Santa Rita de Cássia, que fez o apelo ao jornalismo Alvorada, explica como fica a situação de sua rua nas tarde de maior movimentação de papagaios.

“Nós temos que desviar das linhas para não sermos degolados. Quando chamamos a atenção deles, eles respondem com arrogância. Esse problema não ocorre apenas aqui, no bairro de Santa Rima, mas em outros bairros de Parintins”, comentou o morador.

A reportagem conversou com o advogado Zico Beltrão para esclarecer sobre as devidas providências na justiça em casos envolvendo esta prática.

Ele explica que, de acordo com o Artigo 129 do Código Penal, a pessoa que provocar um dano físico com linha de cerol, pode responder por lesão corporal; ou até mesmo homicídio, em casos extremos.

“Existe a lesão corporal, em decorrência ocasionada pelo cerol. Com isso, a pessoa pode responder por lesão corporal leve, grave, gravíssima ou até mesmo um homicídio, dependendo da gravidade do ocorrido. Por ser cortante, a linha com o cerol não deixa de ser uma arma, então a pessoa está passível a ser responsabilizada pelo ato”, disse o advogado.

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

Pena – detenção, de três meses a um ano.

Lesão corporal de natureza grave

§ 1º Se resulta:

I – Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;

II – perigo de vida;

III – debilidade permanente de membro, sentido ou função;

IV – aceleração de parto:

Pena – reclusão, de um a cinco anos.

§ 2º Se resulta:

I – Incapacidade permanente para o trabalho;

II – enfermidade incurável;

III – perda ou inutilização do membro, sentido ou função;

IV – deformidade permanente;

V – aborto:

Pena – reclusão, de dois a oito anos.

Lesão corporal seguida de morte

§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:

Pena – reclusão, de quatro a doze anos.

Red.: Marcos Felipe