Os líderes da invasão de uma área de terras do bairro União receberam na manhã de quinta-feira, 2 de junho, o mandado de reintegração de posse expedido pelo juiz de direito da 1ª Vara de Parintins, Fábio César Olintho. O pedido para retomada dos três lotes de terras do poder público municipal foi feito pela Controladoria Jurídica da Prefeitura de Parintins. Desde a semana passada um grupo de famílias invadiram um terreno próximo a obra da unidade básica de saúde, derrubaram o muro e lotearam o terreno da obra inacabada do Serviço de Águas e Esgotos de Parintins (SAAE) e se apossaram de uma área maior ao lado da igreja matriz do bairro União.

Enquanto os oficiais de justiça orientavam os líderes e demais ocupantes da invasão para deixarem local por força judicial, funcionários da guarda municipal, segurança pessoal do prefeito Alexandre da Carbrás (PSD) estavam posicionados nas proximidades. Vários tratores também estavam à disposição para remover as armações dos barracos.

O grupo de mais de 300 pessoas ocupou a área ao lado da igreja Sagrada Família, onde cerca de 350 lotes foram demarcados pelos invasores e identificados com as descrições de cada “proprietário”, segundo as lideranças dos sem terras. Para auxiliar na determinação judicial os oficiais de justiça Luiz Pontes Pereira e Enéas Maia contaram com uma guarnição de policiais militares ao comando do major Valadares Júnior. A notificação de desaparição foi para os citados como organizadores da invasão Claiton Muniz, João Nogueira e Jackson Silva Gomes.

De acordo com o oficial de justiça Luiz Pontes Pereira após os líderes teres tomados ciência e assinado a determinação judicial, as autoridades devem aguardar a retirada pacífica do local até o fim da tarde desta quinta-feira. Luiz explicou que se não houver um acordo de desocupação espontânea será aplicada a ordem direta de reintegração de posse, inclusive com apoio da Polícia Militar. “O mandado é para todas as áreas invadidas. Se não houver acordo vamos ter que tirar com apoio policial”, disse o agente judicial.

Para o líder da invasão, Claiton Muniz, os invasores decidiram deixar o local. Porém, ressaltou Claiton, as famílias vão ficar no aguardo de um encontro com o prefeito Alexandre da Carbrás que deverá acontecer na próxima terça-feira, 7 de junho, para um posicionamento da administração municipal sobre o assunto. “Vamos aceitar a ordem judicial. Vamos nos retirar, porque não adianta combater com a justiça. Melhor ir com calma. Na terça-feira iremos primeiramente ter que falar com o prefeito. Só posso dizer uma coisa: se o povo não ficar com essa área, vamos para outra área. Se não for aqui, tem outra área do município que vamos invadir”, assegurou.

Claiton Muniz justificou que são famílias que necessitam de moradia e resolveram invadir aquela área pelo fato do local servir somente para um lixão a céu aberto, prostituição e roubo. “E tudo que não presta tem nesse terreno. A gente quer colocar aqui famílias. Nós vamos lutar por esse povo”, disse.

Texto e foto: Marcondes Maciel | RP