A disputa eleitoral já provocou rachas em diversas partidos com políticos jogados para escanteio nas negociações para as eleições 2018. O encerramento das convenções partidárias foi marcado por  desdobramentos nas articulações políticas, entre eles a quebra da aliança Rotta e Artur Neto e a esquerda dividida no Amazonas com indefinições e mal-estar nas siglas.

A primeira parceria perdida pelo prefeito Artur Neto (PSDB)  foi o Partido Humanista da Solidariedade (PHS) liderado pelo presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) Wilker Barreto, que retirou o apoio à coligação composta pelo PSDB, no último dia de convenções partidárias, e embarcou na campanha do governador Amazonino Mendes (PDT), que tenta a reeleição.

“Para onde o Artur for, o PHS estará ao lado dele”, disse Wilker ao discursar na festa de comemoração dos 40 anos de vida pública de Artur em julho. De acordo com Barreto, a decisão de caminhar em lados opostos foi tomada por determinação da direção nacional da legenda e a escolha por Amazonino deve-se a interesses em comum com as políticas que o PHS defende.

Wilker já sente na pele as consequências do desenlace com Artur. Dezenas de comissionados indicados por ele estão sendo demitidos dos quadros da prefeitura.

O deputado estadual Sidney Leite (PSD) ocupou na gestão Amazonino o cargo de chefe da Casa Civil durante três meses. O posto é responsável por prestar assistência e assessoramento direto aos atos do governador.

A parceria de Sidney e Amazonino ficou evidente no pleito suplementar, quando o deputado assumiu a dianteira da campanha e depois foi um dos primeiros secretários confirmados para o primeiro escalão do governo. Após forte pressão política, Sidney foi exonerado, retomou o mandato de deputado e vem disparando duras críticas à gestão estadual.

Na semana passada, Sidney adotou o discurso da segurança pública, principal bandeira da coligação encabeçada pelo senador Omar Aziz (PSD), a qual Sidney integra como candidato a deputado federal.

Historicamente, PT e PCdoB são aliados, porém, neste pleito no Amazonas há um entrave na escolha do candidato ao Senado, que deve compor a chapa encabeçada pelo candidato ao governo David Almeida (PSB). Na coligação, David já tem como candidato a senador Chico Preto (PMN) e diz não haver espaço para Vanessa Grazziotin (PCdoB) que concorre à reeleição pelo PT, conforme acordo nacional.

A escolha de Grazziotin em detrimento do ex-deputado Francisco Praciano (PT) acabou ocasionando um racha interno no Partido dos Trabalhadores. Em entrevista publicada em sua página oficial no Facebook, Pracianoafima que ser vice de David é a única forma de acomodar a senadora na coligação. Para o PSB, não há mais chance de Vanessa concorrer à reeleição no mesmo palanque de David Almeida.

À frente do governo interino, David Almeida tentou se consolidarcomo candidato do PSD na eleição suplementar para governador do Estado, mas Omar preferiu apoiar a candidatura de Amazonino, negando legenda a David Almeida.

O ato provocou um racha entre David e Omar, e mesmo filiado desde 2011 no PSD, ano que a sigla foi criada, o parlamentar deixou o partido no dia 8 de março deste ano. Em seguida anunciou que tinha encontrado no PSB o apoio para concorrer ao governo na eleição de outubro.

Marcos Rotta, até então filiado ao PMDB, com sua densidade eleitoral, foi um dos fatores que levou a reeleição do prefeito Arthur Neto (PSDB) em 2016. Pouco mais de um ano depois, ele migrou para o PSDB. Titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Rotta se afastou do cargo após receber a indicação de que seria o candidato tucano ao governo.

Rotta afirmou que faltou sensibilidade do PSDB com sua posição política nas tratativas da sigla com relação às eleições. Foto: Arquivo/AC

O PSDB fechou parceria com o senador Omar Aziz (PSD). A aliança foi costurada pelo prefeito Arthur, que escolheu o filho, deputado federal Arthur Bisneto, como candidato a vice na chapa de Omar. Arthur deu a Rotta a possibilidade de ser candidato ao Senado, tudo o que ele não queria.

Rotta se desfiliou do PSDB na terça justificando a “desincompatibilidade de interesses” e no dia seguinte recebeu o convite público do governador Amazonino Mendes (PDT) para comandar a Secretaria da Região Metropolitana de Manaus (SRMM). A proposta também inclui a coordenação do projeto de recuperação do sistema viário de Manaus lançado pelo governador com orçamento de R$ 148 milhões.

Rotta afirmou que não cogita renunciar ao mandato de vice-prefeito e neste final de semana irá analisar o convite feito pelo governador.

A crítica lançada pelo prefeito Artur Neto sobre seu vice, Marcos Rotta, de que ele estaria dando a “volta ao mundo” ao deixar o ninho tucano para se aliar ao governador do Estado é um reflexo da conduta do próprio tucano. Em 2016, quando precisava ser reeleito, Artur fez aliança com Eduardo Braga. Em 2017, na eleição suplementar, brigou com Braga e se juntou a Amazonino Mendes. Em 2018, não quis nenhum dos dois e se uniu a Omar Aziz.

Até o início de julho, os deputados federais Silas Câmara (PRB) e Alfredo Nascimento (PR) andavam circulando juntos no interior do Amazonas e enalteciam a parceria nas redes sociais.

Em fotos e vídeos, Alfredo Nascimento rodeado de outros deputados, entre eles Silas, mostra a entrega de fábricas de gelo. A publicação foi alvo de decisão liminar da Justiça Eleitoral que determinou a exclusão dos vídeos postados por Alfredo a pedido do Ministério Público Eleitoral.

PRB e PR quase estiveram juntos em 2017. Os partidos chegaram a firmar a chapa Marcelo Ramos-Silas Câmara para o governo tampão. A coligação foi desfeita em menos de 24 horas pelo senador Omar Aziz (PSD), que conseguiu atrair Silas para o palanque de Amazonino Mendes (PDT) e assim vencer o pleito. No pleito suplementar, Alfredo foi aliado de Eduardo Braga (MDB) e hoje caminha com Amazonino Mendes, candidato à reeleição.

Nesta eleição, o PRB contrariou a orientação do comando nacional e fechou com o PSD. Em postagens no Facebook, Silas não poupa elogios a Omar que tem como candidato ao Senado na coligação o vereador Plínio Valério (PSDB). Nas redes sociais, a união com Alfredo foi colocada para escanteio.

Red.: Neudson Corrêa com informações do Jornal Acrítica