Os primeiros meses do ano remetem a chuvas fortes na região amazônica. Mas, apesar de todos saberem que todo ano é assim, ainda hoje administradores se dizem pegos de surpresa pelos fenômenos naturais.  A constatação de que qualquer administração pública é capaz de avaliar a situação de saneamento tendo como base as ocorrências do ano anterior, faz-nos acreditar que a falta de planejamento urbano é sinônimo de incompetência e descaso.

Hoje, centenas de parintinenses veem seus esforços irem, literalmente, por água abaixo, com prejuízos que poderiam ser evitados se houvesse planejamento e compromisso com o bem estar e saúde da população. Mais do que prejuízos materiais, muitos parintinenses lamentam e choram os sonhos perdidos para a força da natureza. Nossa orla está comprometida, com risco de desmoronamento. Há lixo espalhado pelas ruas e sujeira pra todo lado. Há risco para a saúde e vida dos moradores das áreas afetadas. Cadê o saneamento?

Saneamento Básico é um serviço público que compreende os sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, coleta e disposição dos resíduos sólidos, e a gestão da drenagem urbana. Mas, apesar de isso ser de conhecimento dos administradores atuais e passados, apesar de todos verem ano a ano a situação se repetir, ainda hoje o que vemos são braços cruzados a espera de um novo fenômeno natural, que seja suficiente para decretar estado de emergência ou calamidade e conseguir recursos extras sem o compromisso de passar por todo processo burocrático de licitação.

Descaso, falta de compromisso, a improvisação marcam administrações municipais e estaduais cujas prioridades não são o cuidado com a infraestrutura e a qualidade de vida, principalmente da população mais pobre. As explicações usuais – excesso de chuva – são, além de cínicas, completamente inúteis. O quadro atual é o retrato de um desastre político e humano, e não natural.

Por que o governo é incapaz de agir antecipadamente à enchente ou incapaz de transformar problemas em políticas públicas para o bem da população? Mais uma enchente se aproxima e ainda vemos populações viverem em áreas de riscos, famílias sem terem pra onde ir, locais sem saneamento e sem estrutura para comportar casas e famílias.  Mas, a prática de deixar para agir após o sinistro é comum por aqui.

É preciso dar assistência à grande massa da população pobre da periferia, é preciso melhorar o saneamento básico e garantir a coleta de resíduos sólidos. Implementar programa de limpeza intensiva de bueiros e galerias entupidos com lixo jogado pela própria população. Levantar e locais problemáticos em termos de enchentes e criar mecanismos mais eficazes para a vazão da água. Elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e o Plano Diretor de Drenagem Urbana, estabelecer o os índices de ocupação do solo e os parâmetros para a drenagem urbana.

Mas não precisamos dizer isso aqui, isso é sabido, isso é de conhecimento. Então, amigos ouvintes, enquanto não somos assistidos pelo poder publico, seja estadual ou municipal, façamos a nossa parte. Evitemos construir em locais de risco, evitemos jogar lixo nas ruas. Embora não resolva o principal, mas é possível prevenir muitas calamidades com ações simples.

Continuaremos sim cobrando o compromisso, a responsabilidade e as ações concretas para o bem da população e para menos cinismo por parte de governantes. E rezando para que uma luz apareça no fim do túnel para tirar o município da situação de caos instalada.