Lixo nas ruas e esgoto a céu aberto. Cenas que revelam a falta de saneamento básico. Este é um dos problemas que existem e um dos desafios do novo prefeito ou prefeita de Parintins.

O saneamento básico é a atividade relacionada ao abastecimento de água potável, manejo de água pluvial, coleta e tratamento de esgoto, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Tudo isso é necessário para a saúde das pessoas e preservação do meio ambiente.

saneamento

Falta de saneamento básico

De acordo com o Instituto Trata Brasil, “saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e à produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica”.

No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição e definido pela Lei Nº 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e Instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais.

A equipe de jornalismo do Sistema Alvorada de Comunicação percorreu alguns pontos da cidade de Parintins para  fazer um  levantamento sobre a situação vivenciada pelo parintinense com a falta de saneamento básico.

Um dos pontos foi o Beco Submarino, onde mora a jovem Keren Andrade, 18 anos, dos quais há 16 sabe bem como é viver próximo a um esgoto a céu aberto, sem tratamento adequado. Segundo Keren, o problema existe muito antes dela ter nascido. Surgiu com a própria criação do Beco no ano de 1980.

Beco Submarino

Keren fala do cheiro insuportável que existe no beco, além do fato de os moradores conviverem diariamente com o risco de adquirir doenças por conta do lixo e da presença de animais como moscas e ratos, que são vetores de doenças.

A futura acadêmica em Administração, da Ufam, vai aprender muito mais do que racionalizar o tempo para contribuir com a saúde da população. O curso pode orientar o jovem a administrar as dificuldades enfrentadas com o descaso das autoridades.

Keren Andrade disse que o beco recebe toda vazão das águas da chuva que vem de diversos bairros. A força da correnteza é tão grande que fez com que o muro do SAAE, em frente a casa dela, desmoronasse.

Do futuro prefeito ou prefeita, Keren Andrade espera receber uma atenção especial para realizar melhorias na área, uma vez que são cidadãos que merecem contar com condições dignas de saneamento.

Em outro ponto da cidade, o senhor Francisco Souza, morador da rua Romualdo Corrêa, esquina da rua Nossa Senhora das Graças, bairro Itaúna II, já presenciou diversos acidentes. Em frente à casa dele, existem duas valas, que servem para escoar a água lançada pelos moradores. Quem trafegar pelo local corre risco de sofrer acidente, como relata o morador.

Quanto ao destino final do resíduo sólido, o município ainda tenta definir um novo local para a instalação do Aterro Sanitário. A atual área, localizada no terreno da Universidade do Estado do Amazonas, em Parintins, já não consegue mais comportar o material produzido pela população e apresenta esgotamento físico.

Falta de tratamento do lixo em Parintins

A professora Nilciana Dinelly, do Conselho Municipal da Cidade de Parintins (Concidade), ressalta que o futuro gestor ou gestora do município tem que trabalhar o saneamento básico, portanto cumprir com um direito assegurado pela Constituição.

Para a educadora, o próximo gestor ou gestora terá como desafio no âmbito do saneamento básico construir um plano municipal com a ajuda da comunidade, atendendo suas reais necessidades. É preciso construir o plano mas não esquecer a população, que é quem vai ajudar a implementar   as ações de saneamento.

Entre 2001 ou 2002, a prefeitura tentou implantar o esgoto sanitário. O projeto foi colocado em prática, mas somente na primeira parte. Ruas foram quebradas para a instalação da tubulação. A segunda etapa do projeto não saiu do papel e o esgoto sanitário ficou enterrado para sempre no subsolo.

O município tem mais de oito quilômetros de rede de esgoto, mais de cem bueiros e muitos dos quais não têm tampa, e representam perigo de acidente para a população.

Esgoto despejado sem tratamento

O esgoto lançado nos rios, sem tratamento, além de cheirar mau, pode causar doenças, principalmente a leptospirose, causada pela urina de rato. Água contaminada atrai insetos que contaminam o meio ambiente e comprometem a qualidade de vida dos moradores.

Da Redação, Neudson Corrêa