Rui Modesto conhecido por todos como “Bereco”, natural de Parintins, nasceu em 09 de fevereiro de 1950, na Rua Faria Neto, Centro. Estudou até o quarto ano do primário na escola que funcionava no sindicato e foi aluno da professora Guajarina Prestes. Segundo ele, por ser de família humilde e sem condições financeiras parou de estudar para trabalhar. Aos vinte e dois anos casou-se e teve com sua esposa (separada) quatro filhos. No segundo relacionamento teve mais três filhos, em suas aventuras ainda surgiram mais dois filhos. Atualmente, Bereco está aposentado e reside com sua filha na Av. Paraíba e aprecia a vida de solteiro que ele chama de “Vida Boa”.

 Começo no futebol

Bereco iniciou no futebol aos 16 anos de idade na equipe da JAC Clube, ele conta que nessa época fazia parte do grupo de Jovens da Catedral, o grupo se chamava Juventude Alegre Cristã (JAC). Com apoio do Padre Augusto Gianolla, Raimundo Muniz, Fernando Castro e Xisto Pereira criou-se a equipe da JAC que contou também com o apoio incondicional do Bispo Dom Arcangelo Cerqua. “O primeiro time da JAC era de futebol de salão e depois que passou a futebol de campo e como tinha apoio e jogadores bons começamos a disputar o Campeonato Parintinense”, revela o ex-jogador. Bereco permaneceu na equipe pelo menos uns seis anos e durante esse período não conquistou títulos pela equipe.

 Trajetória

Depois que saiu da JAC, o ex-atleta viajou para a cidade de Santarém (Pará) onde morara com seu padrinho. Na cidade paraense atuou pelas equipes de São Francisco e América, esse período teve duração de dois anos. Ao voltar de Santarém ingressou na equipe do Amazonas Esporte Clube, na equipe Coral atuou entre cinco e seis anos e conquistou apenas um título. Outra equipe que defendeu foi o Estrela do Norte, onde permaneceu um tempo de dois anos e já no final de carreira atuou na equipe do São Cristóvão num período de um ano.

Também atuou na Seleção Parintinense de Futebol, participou de três temporadas, mas não conquistou nenhum título. Ele lembra da partida em Itacoatiara quando o ex-prefeito Benedito Azedo, que acompanhava a delegação de Parintins, teve a cabeça alvejada com uma pedra desferida por um torcedor. Nesta partida o ex-jogador estava no banco de reservas e Parintins venceu Itacoatiara nos pênaltis.

 Oportunidades

Durante sua estada em Santarém, Rui teve a oportunidade de ir para o Clube do Remo de Belém do Pará. Segundo ele, na época uns olheiros da equipe do Remo selecionaram alguns jogadores do São Francisco para fazerem parte do time da capital, e entre os nomes estava o de Bereco. O ex- jogador em Santarém morava com seu padrinho e, ao receber a notícia de seu afilhado que poderia ir para Belém o padrinho não aprovou e disse que Rui não iria para o Clube do Remo e jogaria na equipe do Fast Club de Manaus. O padrinho de Bereco viajou para Manaus, e ao retornar, pois não é que trouxe consigo a passagem do afilhado para o Fast.

Ao viajar para Manaus o avião tinha que pousar no aeroporto de Parintins, logo que o avião pousou na pista, imaginem o que aconteceu, Bereco desceu do avião e foi visitar a namorada que já não via há dois anos. Nesse período que matava a saudade e confiar que a residência ficava ali por perto onde estava o avião o ex-jogador demorou alguns segundos e quando retornava para o avião ele já estava decolando, e o ex-jogador matou a saudade, mas perdeu a oportunidade de jogar no Fast.

Momentos marcantes

Para Rui Modesto foram vários os momentos que marcaram sua trajetória no futebol, entre os momentos está uma partida de decisão entre Amazonas e Sul América. Ele lembra que no jogo o Sul América estava ganhando pelo placar de dois a zero e nos minutos finais o Amazonas empatou a partida, o segundo gol saiu dos pés de Bereco. A partida não terminou por falta de luz e faltavam poucos minutos. As duas equipes resolveram terminar o jogo em outra partida, porém as duas diretorias resolveram fazer outra partida valendo o tempo normal de jogo. As duas equipes fizeram o segundo jogo e o Amazonas venceu pelo placar de 1 x 0, com o gol de Bereco.

Outro momento que recorda foi um jogo contra o América de Manaus, nesta partida nos minutos finais de jogo, segundo ele já estava um pouco escuro teve uma falta para cobrar pelo lado direito do goleiro do América e quando fez a cobrança pôs a bola no cantinho que no futebol chama de na “gaveta”.

E por fim, outro lance marcante foi contra o Clube do Remo de Belém, quando esteve na cidade fazendo entrega de faixa para o Amazonas. Nesta visita a Ilha, o Remo jogou com o Sul América no sábado e no domingo com o Amazonas. A equipe Rubro Negra perdia de 1 x 0, depois o Amazonas empatou, e no finalzinho do jogo e o campo um pouco escuro surgiu uma falta em favor da equipe coral e como em qualquer jogo o bom batedor de falta aparece sempre na hora certa, lá estava o Bereco com sua habilidade, cobrou a falta e a bola bateu no pé da trave pelo lado de fora e furou a rede e entrou para o gol, o árbitro era o parintinense Amaral que validou o gol. A equipe do Remo reclamou e ameaçou sair de campo, mas não houve jeito o gol estava marcado.

 Futebol da época

“Antes o futebol era bom porque os empresários davam apoio, era um prazer entrar no estádio e ver as torcidas gritando incentivando sua equipe. O calor da torcida dava mais energia para os jogadores. Nos dias de clássico a cidade toda se manifestava, as pessoas iam para as ruas com bandeiras e camisas. O Dray fazia festa com seu teco-teco. Enfim, era bom o futebol da época, os jogadores entravam em campo para jogar e não havia brigas”, destaca Bereco. O ex-jogador comenta ainda que os jogadores ficavam em concentração quando havia jogos e a preparação física era seria. Rui se preparava bem fisicamente, o trabalho de serrador de madeira que exercia o ajudava a ficar bem preparado.

 Lembrança boa

Entre os momentos bons de futebol Rui Modesto teve o que poucos tiveram; a felicidade de jogar com um dos melhores jogadores do mundo: “Garrincha”. Para ele o sentimento de poder ter compartilhado esse momento é inesquecível e, ainda mais que esse privilégio marcou o gol na cobrança de falta feita por Garrincha. “Quando aconteceu a falta, eu peguei a bola para bater a falta e logo veio o Garrincha e disse: “Deixa que eu cobro a falta, vou jogar a bola por cima da barreira na sua frente”. O melhor do Brasil cumpriu o combinado e chutou a bola por cima da barreira e eu estava atendo ao lance, quando a bola passou pela barreira entrei sem marcação e com um toque joguei a bola pra dentro do gol, foi um momento que ainda guardo na memória”, lembra o Bereco.

Por: Nelselino Santarém