Nesta coluna contamos um pouco da historia dos atletas que fizeram parte do período bom do futebol parintinense. Desta vez, conheceremos um pouco da trajetória de Francisco Batista da Silva o “Fabí”. Francisco nasceu na Rua Gomes de Castro – Centro em 29 de novembro de 1958. O apelido de “Fabí” ganhou ainda quando garoto dado pelo Bispo de Parintins Dom Arcangelo Cérqua.

Estudou nas escolas Brandão de Amorim e Colégio Nossa Senhora do Carmo onde concluiu os ensinos fundamental e médio. Francisco casou-se com Dona Zoraia Andrade de Souza, e juntos tiveram um casal de filhos. Atualmente trabalha como conselheiro tutelar, há mais de dez anos – em três mandatos e ainda pode concorrer a um mandato. Pensa que ele parou no tempo… Não, esta Cursando ensino superior na Universidade Estadual do Amazonas – UEA, na Área Tecnológica de Alimentos.

 Começo

Iniciou no futebol ainda jovem aos 17 anos na equipe do Estrela do Norte, na equipe permaneceu por um período de um ano, não conquistou títulos, mas foi sua primeira experiência como jogador. No segundo ano como atleta foi para a equipe do Amazonas. Na equipe coral da cidade atuou por um período que ele não lembra bem, mais que durou entre 05 a 06 anos. Sua terceira equipe foi o Sul América, na equipe azulada jogou três anos, depois foi para o São Cristóvão, permaneceu na equipe por dois anos. E por fim, fez parte também da equipe do Corinthians da comunidade do Anhinga.

 Conquistas

Durante sua trajetória no futebol o ex-Jogador conquistou títulos pelas equipes de Amazonas e Sul América. Na equipe Rubro Negra conquistou três títulos os de 1982 e 1983 e outro que não lembra bem a data.

Na equipe do Sul América onde jogou apenas três anos, Fabi conquistou dois títulos, um em 1986 e outro em 1987. Todos os títulos foram disputados com a equipe do Amazonas.

Na equipe do São Cristóvão conquistou um vice-campeonato, a equipe perdeu a decisão para a equipe Coral da Ilha.

 Momentos marcantes

Para Fabi, o período marcante de sua carreira como jogador foi quando atuou na equipe do Amazonas, “Nesse tempo estava na minha melhor fase, meu futebol estava bem, conquistei dois títulos sendo bicampeão pelo Amazonas”, comenta.

Outro momento marcante para o Ex-jogador foi quando jogou contra o Bota Fogo do Rio de Janeiro. Na época Fabi jogava do Sul América, e em um dos lances da partida envolvendo o Jogador Victor do Bota Fogo (jogador de uma estatura alta e era titular da seleção brasileira), recebeu uma bola e fez uma jogada que no futebol é chamada de “Banho” ou “Lençol”. O Ex-craque diz que quando recebeu uma bola o Victor veio de primeira (Uma maneira de definir uma jogada para quem vem na marcação sem ter o controle da jogada) e com um toque jogou por cima do jogador e depois quando percebeu que tinha recebido o “Lençol” voltou e em seguida recebeu o outro. “Essa jogada levantou a torcida, porém no segundo lance o Victor veio com tanta força que me levou com bola, perna e tudo”, lembra o Craque.

 Futebol da época

“Nós jogávamos futebol porque a gente gostava, não jogávamos somente por dinheiro, tínhamos amor pelo futebol”, recorda o meio campista da década de oitenta. Segundo ele, era difícil pegar uma vaga nos times grandes como Sul América e Amazonas e quando o jogador conseguia uma vaga era uma glória para o jogador. Assim todos levavam a sério o trabalho dentro do time.

Devido a rivalidade entre as torcidas, a cidade parava, os torcedores faziam festa desde o inicio da semana, principalmente quando no fim de semana tinha jogo clássico.

O público comparecia ao estádio faziam grandes filas para assistir os jogos, os torcedores conheciam todos os jogadores, sabiam quem eram seus ídolos. Os carros volantes faziam propagandas de suas equipes pelas ruas com bandeiras provocando a outra equipe dizendo que uma equipe tinha mais torcida que a outra, e com isso os torcedores compareciam e lotavam o estádio. Depois do jogo a equipe que ganhava fazia festa pela cidade. A festa durava até por uma semana. Para “Fabí” o clássico das multidões era entre as equipes de Amazonas e Sul América.

 Preparação

Segundo o ex-craque na sua época sempre foram bem acompanhados por preparadores físicos bons como Fernando Dias e Nelson Brasil. Os treinamentos eram rigorosos todos iam cedo para a gávea. Tinha os dias de treino físico, nesse dia era só física, treino com e sem bola.  “Era uma preparação seria, algumas vezes após o treino os jogadores iam para a farmácia tomar vitaminas, nós éramos cobrados pela torcida, e por isso, tínhamos que se prepara bem para fazer boa partida, quando a gente perdia o torcedor ficava bravo”.

 Futebol hoje

“Vejo o futebol hoje com muita tristeza nosso estádio esta ai bem ajeitado. Antes tínhamos um estádio com o gramado com mais areia que grama a iluminação não era boa e tínhamos um futebol vibrante com grandes craques. Agora temos um estádio melhor do que na nossa época com iluminação e gramado melhor, e não temos um futebol bom”, esta a opinião de Fabí.

Segundo o ex-jogador se houver a estruturação dos clubes ainda é possível resgatar o futebol na ilha. A liga fazendo sua parte na organização das competições buscando conseguir premiação que motive as equipes à competição. Outro fator importante é o atleta, hoje os jogadores estão batendo pelada todos os dias e ninguém vai pagar para ver o atleta se ele está todo dia nos campos. Segundo ele o torcedor só vai ao jogo se houver algo que lhe atraia.

Bronca marcante

De tantas lembranças boas da época do futebol de Fabi encerramos com uma que se deu na partida de despedida de Garrincha quando esteve em Parintins. Ele conta no primeiro tempo Garrincha atuou no Sul América e quase não pegava na bola. No segundo tempo o melhor do Brasil jogou no Amazonas.

Fabi conta sempre que tinha a posse da bola buscava lançar para Garrincha e em certo momento Garrincha se aproximou e lhe dissera: “Quer me queimar moleque?”. Fabi perguntou por que, ele respondeu: “Pô, parece que você só esta me vendo em campo”. Fabi respondeu: “Não, essa multidão está aqui no estádio pra ver você jogar e não pra me ver jogar, é por isso que lhe dou bola”. Garrincha finalizou: “Pô, então dá a bola para outro”. A bronca de Garrincha era porque ele já estava cansado e já não corria tanto. Para o ex-craque parintinense, esta foi uma bronca que ele denomina de “bronca boa”, afinal era o melhor ponta direita do Brasil.

Entrevista/Postado por: Nelselino Santarém