Estamos como Igreja paroquial de Parintins celebrando e vivendo o “Ano Vocacional”. E Nada mais belo que voltarmos nosso olhar e prece à Mãe de Deus, Senhora do Carmo, para suplicar que o Senhor envie, para esta paroquia e Diocese, operários e operárias para trabalharem na sua imensa messe.

Caríssimos, esta Igreja deve ser durante este ano a mãe de todas as vocações. A Igreja é instrumento do chamado de Deus. Todos na Igreja, pelo Batismo, receberam  uma vocação. Qual a sua vocação? A Sua? A minha? Todos, em comunhão com o seu bispo, deverão ter uma consciência de ser uma comunidade de chamados. Ao tomar esta consciência de que é chamada, a comunidade toma ao mesmo tempo consciência de que deve continuamente chamar. Sair pelas praças, ruas, famílias e chamar a todos para trabalhar na vinha do Senhor. Vinde vós, também trabalhar na vinha do Senhor, é o apelo do Evangelho e a nós no último congresso vocacional do Brasil.

Sabemos que o Senhor Jesus antes de escolher os doze, rezou. Rezou por eles e por aqueles que haviam de escutar sua palavra. À luz de seus exemplos e ensinamentos, compreendemos plenamente porque nos mandou “pedir ao dono da seara que mande trabalhadores para sua seara” (Mt 9, 37).

Falamos tanto em estado de missão hoje. Mas, como estaremos em estado de missão se nos falta vocações,  as mais diversas. A paróquia deve estar sempre em estado de vocação e depois em missão.  Ela deve ser constituída em estado de vocação e de missão, de apelo do Senhor e dos pobres, mas também de resposta ao chamado e, portanto de responsabilidade.  No Documento final do II Congresso internacional pelas vocações em Roma ali se diz:  “A igreja particular vive em estado de vocação, porque se identifica com todas as vocações de que é constituída.  Nela os batizados recebem o chamamento universal ao sacerdócio comum dos fiéis e à santidade. Nela surgem, por dom do Espírito Santo, os chamamentos especiais para os ministérios ordenados, para a consagração religiosa e para a vida missionária… ela é, pois a reunião de todos quantos, em comunhão com seu bispo, são chamados pelo Pai ao Seguimento do Senhor…” por isso é um dever essencial da Igreja particular acolher, discernir e valorizar as vocações.

Nesta festa, todos nós elevemos a mente para a Virgem santíssima, ela queestá ligada ao mistério deDeus e da Igreja, e consequentemente, ao mistério detodas as vocações para o serviço de Deus e de sua Igreja.

Vejamos. O livro do Gênesis nos mostra o “não das origens”, no momento em que o homem preferiu olhar para si mesmo, em vez de confiar no seu Criador, quis fazer por conta própria, escolheu ser autossuficiente. Assim, rompendo a comunhão com Deus, esvaziou-se a si mesmo e passou a ter medo, a esconder-se e a acusar o seu próximo. Isso é o que faz o pecado. Mas o Senhor não deixa o homem à mercê do seu mal; imediatamente o procura e lhe faz uma pergunta cheia de apreensão: “Onde você está?”. É a pergunta de um pai ou de uma mãe que procura o filho perdido: “Onde estás? Em que situação encontras?”.

Ao Chamado de Deus, Maria, diferente de Eva e Adão, responde SIM. A comunidade crente, e cada um dos chamados, ao elevar o seu olhar para Maria, encontra nela um modelo que o atrai. É para ela que agora olhamos e dela aprendamos a dizer SIM ao chamado do Senhor, dizer sim sem medo, reservas e sem acovardamento, sem se esconder. Se aqui entre nós, há jovens que já pensaram em dizer sim ao Senhor, mas talvez por medo dos familiares, amigos, colegas, escondem este dom e talento no obscuro de sua existência, hoje, tenham força de dizer destemidos, como Maria SIM.

Tertuliano dizia em relação ao Batismo, que na simplicidade dos sinais da água e de algumas palavras realiza uma obra grandiosa, que nos faz participantes do mistério da Redenção e membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Em Maria, a magnificência da graça e da vocação convive com a mais absoluta simplicidade, ela é pobre, jovem judia, simples em tudo,  assim cremos. Nossa Senhora nos ensina que por maior que seja a graça que recebemos e a sublimidade da nossa vocação, devemos assumi-la com simplicidade, com a nossa vida, nos colocando prontamente a serviço de Deus.

No segredo de Nazaré, depois do anúncio do Anjo, a Santíssima Virgem disse: “Eis aqui e serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Com estas poucas e simples palavras realizou-se o maior e mais decisivo ato de fé na história do mundo. Estas palavras de Maria representam a resposta mais elevada que um homem ou mulher pode dar ao chamado de Deus, pois expressam a disponibilidade e a ativa prontidão, o vazio mais profundo e a plenitude da graça. Seguindo o exemplo de Nossa Senhora, também somos chamados a semelhante resposta de amor, com um coração disponível e pronto, que se esvazia para receber a plenitude da graça do Espírito.

O “sim” da Virgem de Nazaré ao chamado de Deus é traduzido com o latim “fiat”, que significa “faça-se”, mas no original a palavra está no “génoito”, que “não expressa uma simples aceitação resignada, mas um vivo desejo. É como se dissesse: ‘Eu também desejo, com todo o meu ser, o que Deus deseja; faça-se logo o que ele quer’”. Nossa Senhora concebeu Cristo no seu coração antes de concebê-lo no seu corpo. O “sim” de Maria ao anúncio do Anjo nos ajuda a dar a nossa resposta diante da nossa vocação, do chamado de Deus. O Senhor espera de nós, como esperou de Maria, não somente a aceitação da nossa vocação, mas também o vivo desejo de realizá-la plenamente. Pois, o próprio Jesus desejou ardentemente realizar a vontade do Pai e com o seu SIM Maria realiza a vontade do Pai.

A reflexão sobre o “sim” de Maria torna-se ainda mais rica em significado se considerarmos que a Mãe de Deus não respondeu ao anúncio do Anjo em latim ou em grego, mas sim em hebraico. Provavelmente, a palavra que saiu da boda da Virgem foi “amém”, que significa firme certeza, que é a palavra usada pelos judeus como resposta de fé à Palavra de Deus, como acontece ao final de alguns salmos. A tradução deste “amém” é: “assim é e assim seja”, que indica, ao mesmo tempo, fé e obediência, ou seja, reconhecer ser verdade o que Deus nos diz e aceitar. Amém significa dizer “sim” a Deus.

Maria responde à proposta de Deus dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor”. Ela não diz: “Desta vez vou fazer a vontade de Deus, eu estou disponível, depois vamos ver …”. O seu é um “sim” total, incondicional. Tal como o “não” das origens tinha fechado a passagem do homem a Deus, assim o “sim” de Maria abriu, para nós, o caminho para Deus. É o “sim” mais importante da história, o “sim” humilde que abate o “não” soberbo das origens, o “sim” fiel que cura a desobediência, o “sim” disponível que derrota o egoísmo do pecado. Por isso no Sim de Marai o nosso sim é também libertador, é caminho de salvação para os povos e necessitados.

O Papa Francisco por ocasião da festa da Imaculada Conceição em Roma o ano passado dizia: “Também para cada um existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus. Às vezes, porém, somos especialistas nos Sim à metade: somos bons em fingir de não entender bem o que Deus quer e o que a consciência sugere. Somos também astutos, e para não dizer um não verdadeiro a Deus dizemos: “eu não posso”, “não hoje, mas amanhã”; “amanhã serei melhor, amanhã eu vou rezar, vou fazer o bem, amanhã.” Assim, no entanto, fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita desta falta de um “sim”. Em vez disso, cada “sim” pleno a Deus dá origem a uma história nova: dizer sim a Deus é verdadeiramente “original”, não o pecado, que nos torna velhos dentro, nos envelhece por dentro. Cada sim a Deus origina histórias de salvação para nós e para os outros.”

Como a Mãe do Senhor, nos coloquemos em prontidão para o serviço de Deus. À semelhança de Maria, aceitemos a nossa vocação, o nosso chamado, com o ardente desejo de realizá-la plenamente. Acreditemos que o Senhor nos chama para uma alta vocação e digamos o nosso “sim”, o nosso “amém”. Com generosidade e confiança, como Maria, vamos dizer hoje, cada um de nós, este sim pessoal a Deus.Nossa Senhora da Anunciação, rogai por nós!

Fr. José Leandro A. da Silva, O. C

Pregador do Novenário